
Abram espaço para que seus corpos sejam consumidos pelos abutres, que os vermes os comam, degenerem suas carnes, pedaço por pedaço. Que nada sobre para contar que por esta terra eles passaram e que ninguém jamais profira seus nomes. Para aqueles que trazem o mal augúrio de possuí-los, troquem-nos. Se desfaçam dessa má sorte que o destino lhes reservou. Purifiquem seus espíritos limpando seus nomes. Perdoem seus pais, eles não poderiam saber o mal que faziam. Mas se limpem. E jamais. Nunca se apresentem a mim com esses nomes. De hoje em diante, eles estão banidos deste mundo, desta terra. Que sumam. Sejam levados ao inferno e lá invocados pelos demônios mais baixos, pois nesta terra, nunca mais andarão seres com tal alcunha.
Que assim, seja escrito.
Vejam, vocês que queimam. Olhem nos olhos daqueles que os rodeiam e sintam o ódio, a força do ódio que une a todos para queimá-los, para extingui-los do mundo dos homens. Seus espíritos não serão invocados. Suas almas estão amarradas. Para onde um for, todos irão. Eu os condeno. Com a força de todos que aqui estão, eu os condeno a juntos permanecerem por toda a eternidade. Juntos. Juntos no inferno.
Que a aliança que se formou no sangue que derramaram, seja agora perpetrada pelo todo do contínuo - no tempo e no espaço, no mundo dos vivos e dos mortos - que suas almas sofram e padeçam juntas, unidas, dependentes. Essa é a nossa vingança. Com o sabor amargo em nossas bocas, cuspimos em seus corpos e em suas faces.
De olhos abertos nos deliciamos com suas dores. Que elas se prolonguem, que vivam em toda a eternidade a morte, após morte, que suas almas vivam e morram, vivam e morram. Eternamente.
Pelo meu nome e pelo nome de todos que aqui vivem. Que as nuvens de gafanhotos arranquem as carnes dos seus ossos. E que mil vezes seja o sofrimento que causaram. Que mil vezes seja a dor que sofrerão.
Que assim seja.
Hoje. Da história apagamos suas vidas. Por aqui nunca andaram, por aqui nunca estiveram. Que sofram no esquecimento o nosso esquecer.
Vingança sobre vingança. Dor sobre dor. Fogo sobre fogo. Desçam. Que sejam levados pela negritude do enxofre. Que as línguas do fogo despreguem sua carne.
E todos que aqui estão. Esqueçam. Esfaqueiem seus corpos a cada lembrança, se penitenciem a cada lembrança. Esqueçam. Não contem aos seus filhos, não contem aos seus netos. Não comentem com seus vizinhos. Não sonhem com a noite de hoje. Esqueçam.
A história de ódio termina aqui.
Que assim seja.
FÁBIO CAIM VIANA - 14/02/2000.
