A Visita

 

..............Uma visita esperada mas indesejada. Ela bate insistentemente à porta. Todos escutam, mas se fazem de surdos. Ninguém tem a coragem de virar o trinco e abrir, sequer se atrevem a olhar pelo olho mágico.Mesmo sabendo que de toda forma entrará na casa. O que fazem é atrasar sua chegada. Sabe-se que todo este esforço é inútil. Ela força a porta,e esta não tolera mais ..esta pressão vinda de lados opostos. Isto pode durar meses,anos. Mas a visita sempre entra. Por que não abrir logo, porque adiar as boas vindas a esta senhora que insistentemente bate a porta. Cedo ou tarde chega a hora. Mas não podem fixar o olhar nas rugas no rosto da mulher, são um sinal de algo que preferem ignorar. Aliás, igonar é o que mais sabem fazer . Ignoram seu próprio ignorar , sua não-vida a jorrar, a se disperdiçar. A areia da ampulheta está se esvaindo esvaindo, esvaindo...

...........Qual seu nome, vocês pergutam. Seu nome carrega e arrasta o tabu das trevas de toda uma eternidade, de toda existência humana. Ela fala por si:

........- Meu nome é ...

.......Tarde de mais ela já entrou.

 

Jair Bercê - 2000.